Presidente do Instituto de Previdência de Serra Caiada e da ANORPREV, Audrey construiu uma trajetória marcada pelo serviço público, pela troca entre os RPPS e pelas mulheres que abriram caminhos antes dela. Em 2026, viveu em Natal aquele que considera o auge de sua vida profissional.
Audrey Suelen Brito Mila ainda cursava Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Norte quando passou em um concurso público para trabalhar em um município da Região Metropolitana de Natal. Foi na Controladoria Municipal que começou uma trajetória que, quase 15 anos depois, a levaria à gestão de um Regime Próprio e à presidência da Associação Norte-Rio-Grandense de Regimes Próprios de Previdência Social (ANORPREV). E há uma característica dessa história que Audrey faz questão de destacar: desde o início, havia mulheres abrindo caminhos.
Quando o município criou seu RPPS e a respectiva autarquia, Audrey foi convidada a integrar a estrutura para representar os servidores efetivos. Mais uma vez, encontrou uma mulher na chefia. “Encontrei outra mulher que me ensinou tudo o que sei e me abriu os caminhos. Depois disso, galgar os cargos acima foi acontecendo naturalmente”, conta.
A Previdência foi se tornando parte de sua trajetória ao mesmo tempo em que crescia uma rede de relações entre gestores que enfrentavam desafios semelhantes. Muitos dos RPPS do Rio Grande do Norte haviam sido criados recentemente e seus profissionais já mantinham um grupo informal de troca. A vontade de transformar aquela aproximação em algo permanente resultou, em junho de 2017, na criação da ANORPREV. A ideia, lembra Audrey, era “unir, representar e auxiliar a todos na busca por aprendizado”.
No mesmo ano, outra transformação aconteceria em sua vida. Audrey engravidou de gêmeas e, ao retornar da licença-maternidade, decidiu buscar uma rotina profissional que lhe permitisse maior qualidade de vida. Foi assim que chegou a Serra Caiada, município onde permanece até hoje. “Sigo feliz no meu objetivo de servir ao público da forma mais correta que for possível ser, dentro da lei, do respeito e da obrigação que tenho para com os servidores e beneficiários do município que me acolheu.” Um estado visto por muitos olhares
Presidir um instituto e, paralelamente, conviver com gestores de diferentes municípios por meio da ANORPREV fez Audrey perceber que, na Previdência, problemas aparentemente semelhantes podem assumir contornos completamente diferentes dependendo de onde são vividos. “A Previdência parece ser igual para todos, mas as condições de cada município fazem tudo se tornar único. As dificuldades e as facilidades de cada um podem, sim, ajudar o outro, mas nunca serão as mesmas histórias.” É uma experiência que ela descreve como “um presente de vida”. Além das relações profissionais e pessoais construídas ao longo do caminho, Audrey acredita que o contato com diferentes realidades ampliou sua própria forma de enxergar o trabalho e as pessoas.
“Talvez eu não tivesse a visão de mundo que tenho hoje, de entender as diferenças, se tivesse me limitado apenas ao meu mundo. É um privilégio sem tamanho poder enxergar o meu estado por tantos olhares diferentes.”
Em 2026, muitos desses caminhos se encontraram em Natal. Receber novamente o Congresso Nacional da ABIPEM no Rio Grande do Norte era, segundo Audrey, “um sonho antigo”. A edição realizada na capital potiguar reuniu profissionais de RPPS de todo o Brasil e teve significado especial para quem vinha trabalhando há anos pela aproximação e fortalecimento dos regimes próprios no estado. “Ver tantos servidores buscando mais conhecimento para fazer seus RPPS melhores, com tantas palestras maravilhosas e cursos espetaculares, foi, sem sombra de dúvidas, o auge da minha trajetória profissional.”
Para Audrey, o evento também permitiu mostrar a estrutura e o trabalho desenvolvido pelos regimes próprios potiguares. Ela destaca ainda a oportunidade de participar da construção do Congresso ao lado de João Figueiredo e Demetrius, em um momento que define como especialmente significativo para o Rio Grande do Norte. Mas, quando perguntada sobre a experiência que mais a transformou como gestora, Audrey não escolhe um cargo, uma conquista institucional ou mesmo o Congresso que considera o auge profissional.
Volta às filhas. “A Audrey de antes, que achava que sabia tudo na teoria e, às vezes, era dura demais em busca de uma perfeição que não existe, aprendeu a ser mais humana e aceitar que o perfeito está em ser nossa melhor versão a cada dia.”
Para ela, a maternidade trouxe uma nova compreensão das diferenças, das limitações e da própria maneira de exercer a liderança. A carreira continuou avançando, mas a profissional que seguiu esse caminho já não era exatamente a mesma.
Talvez por isso, ao falar das mulheres que marcaram sua trajetória, Audrey não construa uma lista apenas de presidentes ou dirigentes. Cita suas antigas chefes, Lúcia Almira e Roberta Cabral, pelo que lhe ensinaram sobre liderança; as colegas Andreza Revoredo e Maria Cecília; e as companheiras de ANORPREV Eliane Cristina e Clara Késia. “Tive a honra de ter inspirações de mulheres magníficas na minha trajetória profissional”, afirma.
Mas sua reflexão vai além de quem ocupa formalmente posições de comando. “Todas as mulheres que me inspiram, me ajudam e me ensinam tanto fazem seu papel lindamente, sem necessariamente serem, ou desejarem ser, líderes. Todas nós temos nosso papel e importância no conjunto da Previdência e do mundo.” É uma visão que ajuda a explicar também a liderança que Audrey diz procurar exercer hoje.
Depois de quase 15 anos nos RPPS e quase uma década à frente da ANORPREV, ela não fala em abandonar a personalidade decidida que a trouxe até aqui. Prefere somar a ela aquilo que aprendeu com a maternidade e com as pessoas que encontrou pelo caminho. “Nunca vou deixar de ser a Audrey, ariana e decidida, que conquistou tanta coisa e chegou até aqui, mas com a humanidade que a maternidade e as pessoas que chegaram e passaram pela minha vida me trouxeram.”
Se no começo de sua trajetória foram outras mulheres que ensinaram, acolheram e abriram caminhos, hoje Audrey ocupa também uma posição a partir da qual pode fazer o mesmo. E talvez esteja aí a síntese de uma carreira construída muito menos como percurso individual do que como resultado de encontros. “Hoje a minha dedicação ao trabalho continua sendo por amor, como sempre foi, mas hoje em dia por um amor ainda maior e mais leve, com a certeza de que, todo mundo dando o seu melhor onde se espera, podemos construir uma Previdência e um mundo ainda mais justo, leve e feliz para todos.”







